O batismo com o Espírito Santo

Espírito Santo

INTRODUÇÃO

A experiência do batismo com o Espírito Santo tem-se constituído numa das pedras basilares da doutrina pentecostal, como uma doutrina tanto bibliocêntrica quanto prática e experimental.

I. A PROMESSA DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

1. Nas palavras do profeta Joel. “E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito” (Jl 2.28,29).

2. Nas palavras de João Batista. “E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu: cujas alparcas não sou digno de levar: ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo” (Mt 3.11).

3. Nas palavras de Jesus Cristo. “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre”. E acrescenta o apóstolo João que “isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado” (Jo 7.38,39). “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5).

4. Cumprimento da promessa. Após ter dito isso, foi Jesus elevado ao Céu, e, já à mão direita do Pai, cumpre o que prometeu, conforme registra Atos 2.1-13. Cumpre-se, com certeza, a afirmação de Cristo, segundo a qual “o vento [o Espírito Santo] sopra onde quer…” (Jo 3.8).

II. A REALIDADE DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

O batismo com o Espírito Santo, como promessa, é algo não apenas para ser desejado e buscado pelo crente. É mais do que isso. Como doutrina bíblica deverá ser corretamente compreendida.

1. Falsos conceitos sobre o batismo com o Espírito Santo. No decorrer dos anos, muitos conceitos errôneos têm surgido sobre o batismo com o Espírito Santo. Muitas “boas intenções” têm contribuído para se generalizarem tais erros. De um lado estão os antipentecostais a confundirem o batismo com o Espírito Santo com a experiência da conversão, com o novo nascimento. Do outro lado estão algumas correntes renovacionistas e carismáticas que falam do batismo com o Espírito Santo como um acontecimento completamente alheio às Escrituras. Enquanto isso, no centro, estão não poucos pentecostais nominais, que já não nutrem qualquer interesse por contribuir no sentido de que outros membros de suas congregações, principalmente os crentes mais novos, tenham a gloriosa experiência do batismo com o Espírito Santo.

2. O que não é o batismo com o Espírito Santo. O batismo com o Espírito Santo não é a mesma coisa que o novo nascimento. Ambas são experiências de grande importância, mas distintas. Jesus primeiramente disse aos seus discípulos: “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” (Jo 15.3). Só depois é que eles tiveram a experiência do batismo com o Espírito Santo.

Os crentes samaritanos (At 8.14-17), bem como os doze discípulos de Éfeso (At 19.6), por certo já possuíam os seus nomes escritos no Livro da Vida, quando receberam o dom do Espírito Santo. O próprio Jesus, não obstante ter sido gerado por obra e graça do Espírito, só aos trinta anos de idade é que foi ungido pelo Espírito Santo e capacitado para o pleno cumprimento de sua missão (Lc 4.17-20).

3. O que é o batismo com o Espírito Santo. O batismo com o Espírito Santo é o âmago da experiência do Pentecoste. Desse modo, um verdadeiro pentecostal não é alguém que simplesmente pertence a uma denominação evangélica com esse nome, mas aquele que foi batizado com o Espírito Santo e continua a transbordar sua virtude. O batismo com o Espírito Santo é, dentre outras coisas: a) o cumprimento integral e total da promessa do Pai, sobre a qual falou Jesus em Atos 1.4; b) a unção indispensável a todo crente, que, possuidor da natureza divina, tem o dever de testemunhar de Cristo e de seu Evangelho por todos os lugares, até os confins da Terra (At 1.8); c) o fluir das fontes cristalinas da salvação, que emanam da alma do pecador perdoado pela bondade do Senhor (Jo 7.38,39).

4. Todo crente deve buscar o batismo com o Espírito Santo. Um dos ensinos preferidos pelos antipentecostais é que o crente não deve buscar o batismo com o Espírito Santo, pois, segundo eles, o cristão que assim age, está sujeito a receber um espírito demoníaco em lugar do Espírito Santo. Este ensino não só é um absurdo como também uma blasfêmia inominável, contra a qual se ergue o Senhor Jesus Cristo em Lucas 11.11-13.
O crente que não é batizado com o Espírito Santo deve pedir a Jesus, o doador do Espírito, que o batize. Também é bíblico que os cristãos, já batizados com o Espírito Santo, orem em favor dos que ainda não receberam este batismo, a fim de que sejam cheios do Espírito Santo. Os apóstolos Pedro e João oraram para que os crentes samaritanos recebessem o Espírito (At 9.17). De igual modo, Paulo impôs as mãos sobre os doze discípulos de João que moravam em Éfeso, e, enquanto orava, o Espírito Santo veio sobre eles, de sorte que tanto falavam em línguas como profetizavam (At 19.6). Uma vez que o batismo com o Espírito Santo é uma bênção destinada a todos os crentes, todos os cristãos devem desejá-la e buscá-la diligentemente.

III. EVIDÊNCIA FÍSICA DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

O Novo Testamento bem como a História da Igreja designam o falar em línguas como a evidência física inicial do batismo com o Espírito Santo. Com este ensino corroboram vários textos do livro de Atos dos Apóstolos.

1. No dia de Pentecostes: “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”.

A demonstração comum ou a evidência física inicial de que os quase 120 discípulos foram cheios do Espírito Santo no dia de Pentecoste, foi que todos eles falaram em outros idiomas. Foram línguas que eles nunca aprenderam; faladas, portanto, pela operação sobrenatural do Espírito Santo.

2. Entre os samaritanos: “Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo. (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus.) Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo” (At 8.14-17).

Ainda que o texto de Atos 8.14-17 não mostre explicitamente que os samaritanos falaram em línguas estranhas como evidência do batismo com o Espírito, vários estudiosos das Escrituras são da opinião que isso ocorreu. Se não tivesse havido a manifestação das línguas, de que modo os apóstolos teriam notado a diferença entre eles antes e depois da oração com imposição de mãos? E mais, por que razão Simão ofereceria dinheiro aos apóstolos em troca do poder de provocar aqueles fenômenos, se ele não os tivesse visto e ouvido?

3. Sobre Saulo em Damasco: “E Ananias foi, entrou na casa, e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo. E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado” (At 9.17,18).

Também no caso de Saulo, o texto bíblico não diz claramente que ele falou em línguas, mas afirma que ele foi cheio do Espírito Santo. Porém, uma vez que Paulo diz falar mais línguas (glossolália) que os coríntios (1 Co 14.18), a opinião mais comum entre os comentaristas das Escrituras é que ele tenha falado em línguas, quando foi cheio do Espírito Santo.

4. Na casa de Cornélio: “E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviram a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviram falar línguas, e magnificar a Deus” (At 10.44-46).

Foi a ênfase dada pelo apóstolo Pedro e seus companheiros ao fato de que os gentios em Cesaréia haviam recebido o dom do Espírito Santo da mesma forma como os quase 120 no dia de Pentecoste, que apaziguou o ânimo dos apóstolos em Jerusalém, de sorte que disseram: “Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida” (At 11.18).

5. Sobre os discípulos em Éfeso: “E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam” (At 19.6).

Cerca de 20 anos após o dia de Pentecoste, o batismo com o Espírito Santo ainda era acompanhado da evidência do falar em línguas estranhas. Esse sinal satisfazia não só a um dos requisitos da doutrina apostólica, quanto à manifestação do Espírito, como também cumpria fielmente as palavras de Jesus: “Estes sinais seguirão aos que crêem: … falarão novas línguas” (Mc 16.17)

IV. PROPÓSITOS DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

Já dissemos que o batismo com o Espírito Santo é uma experiência destinada a todos os crentes, independentemente do tempo e da denominação à qual estejam filiados. Mas quais os reais propósitos do batismo com o Espírito Santo? Dentre esses, atentemos para os seguintes:

1. Viver abundantemente para Deus: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios dágua viva correrão do seu ventre. E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado” (Jo 7.38,39).

Desde o momento do novo nascimento até a morte ou a glorificação, a vida do cristão deverá estar inteiramente identificada com o progresso espiritual, marcado pela submissão e comunhão com Deus. Evidentemente isto só será possível para o que está cheio e a transbordar do Espírito Santo (Ef 5.18).

2. Identificar a vida do crente com Cristo: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me para curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, e dar vista aos cegos; a pôr em liberdade os oprimidos; a anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18,19).

Disse A. B. Simpson, fundador da Aliança Bíblica Missionária: “Primeiro, o Senhor nasceu pelo Espírito, e posteriormente iniciou seu ministério no poder do Espírito Santo. Espero que assim como “o que santifica, como os que são santificados, são todos um”, de igual maneira nós devemos seguir seus passos e imitar sua vida. Nascidos no Espírito nós também devemos ser batizados com o Espírito Santo, e logo viver a vida de Cristo e repetir sua obra”.

3. Poder para testemunhar: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8).

A experiência da salvação do homem começa no Calvário, enquanto que o seu serviço inicia-se no Pentecoste, ou seja, com a experiência do batismo com o Espírito Santo.

A finalidade deste batismo está prescrita na própria promessa de concessão: capacitar o crente para o trabalho divino. O cristão, pois, corre um sério risco, uma vez batizado com o Espírito Santo, se não assumir uma vida de compromisso com o testemunho cristão. Paulo tinha o dever de testemunhar de Jesus em tão elevada conta, que chegou a dizer: “… ai de mim, se não anunciar o evangelho” (1 Co 9.16).

A experiência do batismo com o Espírito Santo, apesar de ajudar-nos a viver abundantemente para Deus, de identificar-nos com Cristo, e de comunicar-nos poder para testemunhar do Evangelho, não se constitui numa espécie de apólice de seguro em caso de naufrágio espiritual. Não!

Mais que qualquer outro, o crente batizado com o Espírito Santo tem o sagrado dever de permanecer humilde na presença do Senhor, estudando a sua Bíblia, orando e primando por viver uma vida santa diante de Deus e dos homens.

O batismo com o Espírito Santo não comunica privilégio; transmite, sim, responsabilidade, sobretudo.

CONCLUSÃO

O Novo Testamento fala do Espírito Santo como uma Pessoa, e nunca como uma influência. Suas referências a Ele são sempre com o pronome no masculino e nunca no neutro.

 

Fonte:  http://missaobrasilestudos.no.comunidades.net/index.php?pagina=1113626655

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No Irã, cristão é libertado da prisão; outros seguem encarcerados

 

 

 

Agora, além da perseguição por conta de sua fé, cristãos enfrentam um novo problema no Irã: o governo trata a sua prisão e libertação como um negócio, onde o que importa mesmo é o valor pago pela fiança. Interceda por nossos irmãos naquele país

 

 

Essa semana, o governo iraniano libertou um cristão sob pagamento de fiança, mas outros cinco membros da Igreja do Irã – movimento evangélico recente de Igrejas caseiras – continuam atrás das grades, conforme relatou um representante da congregação à agência de notícias BosNewsLife, em 17 de novembro.

“Mehdi Ameruni só foi solto da prisão após seus familiares e amigos levantarem cerca de 25.000 em moeda local”, disse Firouz Khandjani, membro do conselho da Igreja do Irã.
Sua libertação veio depois dos cristãos Bijan Haghighi e Roxana Furughi terem sido soltos em 25 de outubro e 1 de novembro, respectivamente. Cada um deles foi obrigado a pagar uma fiança de cerca de 25.000 na moeda local, acrescentou Khandjani.

Khandjani explicou: “Essa quantia é um absurdo no Irã, onde o salário médio mensal é de até 300 riais iranianos (moeda local) ou menos. As famílias desses irmãos tiveram que levantar o dinheiro colocando propriedades, tais como sua própria casa, como garantia”.

Outros cinco crentes, que foram detidos com eles, Mohammad Roghangir, Surush Saraie, Eskandar Rezaie, Massoud Rezaie e Shahin Lahouty, foram transferidos, na semana passada, para a prisão de Adel-Abad, em Shiraz, e permanecem por lá, disse ele.

Acusações falsas
“A transferência de uma prisão para outra sugere que as autoridades pretendem mantê-los presos por muito tempo”, sublinhou Khandjani, que também afirmou que o mais provável é que tais cristãos sofram com “falsas acusações”, tais como “crimes contra a segurança do Irã”.

“Parece que as autoridades querem pressioná-los a pagar fiança por sua libertação”, disse Khandjani, que não quis revelar sua localização devido a preocupações com sua segurança.

Vários outros cristãos encontram-se detidos na prisão de Adel-Abad por causa de sua fé. Entre eles: Mojtaba Hosseini, Mohammad-Reza Partoei Kourosh, Vahid Hakkani e Homayoun Shokouhi que estão presos no centro de detenção há cerca de nove meses, disse um cristão que não quis se identificar.

Khandjani acredita que dezenas de cristãos permanecem detidos no país, após a repressão desencadeada em várias igrejas, desde o mês passado. “Centenas de iranianos foram pressionados a não mais frequentarem cultos cristãos.”

Autoridades iranianas negam que cristãos inocentes estão detidos na prisão e, muitas vezes, os descrevem como “criminosos” que “ameaçam a segurança do país”.

A Igreja do Irã e outros movimentos cristãos no país têm ligado a repressão relatada ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e ao líder supremo aiatolá Ali Khamenei, que desejam conter a propagação do cristianismo na nação islâmica. Ore pelo Irã!

 

Fonte: BosNewsLife / Portas Abertas http://www.portasabertas.org.br/noticias/2012/11/1926314/
Tradução: Ana Luíza Vastag

Perseguição aumenta nos países da janela 10X40

 

 

 

Embora a Portas Abertas não utilize essa nomenclatura (Janela 10×40), dos 62 países que compõem a Janela, a Portas Abertas tem projetos em cerca de 50 deles e é possível encontrar 43 desses países na classificação de países por perseguição

 

 

Na última década, houve um aumento acentuado na perseguição aos cristãos de países da janela 10X40, segundo a organização Gospel for Asia, GFA (Evangelho para a Ásia, tradução livre).

A janela 10X40 abrange os países menos alcançados pelo Evangelho. Informações divulgadas pela GFA advertiram que, só na Índia, ocorreu um aumento de 400% da perseguição.

O presidente da GFA, KP Yohannan, afirmou que pessoas que nunca experimentaram a perseguição “não compreendem totalmente o que significa ter suas vidas ameaçadas, suas casas destruídas, seus direitos violados e entes queridos presos, tudo por causa de sua fé em Jesus Cristo.”

“Nos 14 países em que atuamos, perseguições desse tipo tornaram-se a forma normal de vida, especialmente para aqueles diretamente envolvidos no trabalho missionário”, disse ele.

Cristãos na região 10X40 tiveram seus lares destruídos ou foram presos por acusações distintas, como conversões forçadas, por exemplo. Muitos foram mortos por causa de sua fé em Cristo e outros foram obrigados a viver na clandestinidade.

“O aumento desse tipo de perseguição não deveria ser surpreendente, significa que o Evangelho está chegando às áreas hostis do mundo”, disse Yohannan. “Jesus enviou os seus discípulos como ovelhas no meio de lobos (Mateus 10). Histórica e biblicamente, a perseguição é esperada para quem serve a Deus”, completou.

Na última quinta-feira, cristãos de todo o mundo oraram pelos irmãos que sofrem por sua fé, como parte do Dia Internacional de Oração pela Igreja Perseguida.

Yohannan relatou que a intercessão é força e encorajamento para aqueles que enfrentam a perseguição, especialmente para os que vivem em áreas remotas e sentem-se sozinhos em sua luta. “O sofrimento de nossos irmãos e irmãs é bastante pesado”, disse.

“Para quem ainda não experimentou a normalidade da perseguição, Jesus pede que participe voluntariamente do seu sofrimento. Através de nossas orações, podemos ser agentes de cura, esperança e ajuda vinda de Deus”, concluiu.

*Classificação de países por perseguição

 

Fonte: Christian Today / Portas Abertas  http://www.portasabertas.org.br/noticias/2012/11/1911987/
Tradução: Ana Luíza Vastag

Laos: Três pastores permanecem detidos

 

 

 

O cristianismo é uma religião minoritária no Laos. O maior grupo cristão é da tribo khmu; a maioria das igrejas está na zona rural. O país ocupa o 12º lugar na classificação de nações que mais perseguem os cristãos

 

 

 

Após a transferência de três líderes cristãos do Laos – pastores Bounlert, Adang e Onkaew –, do distrito Phin para a prisão da província de Savannakhet, ao sul do país, em 17 de setembro, autoridades descobriram que suas prisões não foram justificadas. Incapazes de encontrar base legal para mantê-los detidos e por estarem sob a pressão de superiores, os pastores foram libertados e escoltados de volta para suas casas, em 10 de outubro.

Os familiares foram informados da sua liberação, porém, os três não chegaram a seus respectivos lares. Eles realmente voltaram para Phin, mas continuam a ser vítimas de assédio, dificuldades e ameaças até hoje. As autoridades distritais de Phin, supostamente, buscam por mais provas para acusá-los.

Em 18 de outubro, o chefe e os anciãos da aldeia Allowmai, juntamente com a família do pastor Bounlert, foram convocados a comparecer na sede de polícia local. Lá, o chefe da aldeia não-cristão e os anciãos exigiram que o pastor Bounlert e os demais cristãos fossem submetidos a um ritual animista (referente a todos os elementos do Cosmos: Sol, Lua, estrelas), fazer um juramento com “água sagrada”, a fim de continuar morando na vila.

Líderes cristãos da província de Savannakhet acreditam que a polícia está recorrendo ao ritual tradicional local com o objetivo de forçar os cristãos a negarem sua fé, já que foram mal sucedidos em uma ação legal contra eles.

Os três pastores rejeitaram a participação no ritual. Eles sustentam que faz parte de seus direitos legais e constitucionais serem cristãos livres em Laos. No entanto, as autoridades do distrito e da aldeia não compartilham dessa visão.

Em 4 e 5 de outubro, anciãos da aldeia de Vongseekaew, também no distrito Phin, tentaram forçar cerca de 50 cristãos (que compõem 13 famílias) a participarem de rituais animistas tradicionais, fazer juramentos e beber “água sagrada”, feita a partir de encantamentos. Ao tomarem parte nos rituais, cristãos seriam vistos como declarando, publicamente, que estão aderindo à religião tradicional da aldeia e seus costumes, seguindo o caminho de seus espíritos ancestrais, abandonando assim a fé cristã.

Os anciãos sustentaram que o direito de residir na aldeia seria entregue somente às famílias que se submetessem aos rituais. Depois de inúmeras tentativas, cristãos continuaram recusando-se a participar dos rituais. Os anciãos, em seguida, declararam que estes tinham, portanto, perdido o direito de viver na vila Vongseekaew e precisariam deixar a aldeia imediatamente.

Dias depois, autoridades do Laos deram continuidade à perseguição aos cristãos, ameaçando destruir suas casas se eles continuassem a se recusar a submeter-se aos rituais e, assim, deixar de seguir a fé cristã.

A situação é revertida em uma aldeia, mas piora em outra
Nos dias 8 e 9 de outubro, porém, o chefe do distrito Phin, o escritório de assuntos religiosos, e a polícia militar organizaram uma reunião pública na vila. O chefe do distrito declarou então, que moradores de Vongseekaew poderiam aderir livremente a qualquer religião de sua escolha, incluindo o budismo, o cristianismo e o animismo. Ele instruiu para que ninguém fosse perseguido por causa de sua escolha religiosa.  Desde então, as coisas têm estado mais tranquilas em Vongseekaew e os cristãos mantiveram a sua fé.

Porém, há oito quilômetros dali, na vila Allowmai, autoridades ainda estão tentando coagir os cristãos a submeterem-se aos rituais e abandonarem a fé. A polícia de Phin continua com as ameaças de manter os pastores Bounlert, Adang e Onkaew na prisão por dois ou três anos a mais, já que os cristãos em Allowmai não negaram sua fé.

O país comunista Laos tem cerca de sete milhões de habitantes, a maioria (67%) é budista. Os cristãos constituem cerca de 2% da população, dos quais 0,7% são católicos.

Fonte: Christian Solidarity Worldwide (CSW) / Portas Abertas http://www.portasabertas.org.br/noticias/2012/11/1903229/
Tradução: Ana Luíza Vastag